segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Mural de Memórias - COVID 19

Neste ano letivo atípico, em que a palavra de ordem é o distanciamento, a Biblioteca Escolar pretende criar pontes e elos de cooperação dentro da Comunidade Educativa, porque “juntos somos mais fortes”. Assim, fomentando o espírito de Comunidade, satisfazendo a necessidade de partilha e iniciando o ano letivo em união, em proximidade e com uma Energia Positiva comum, lançamos um desafio coletivo, construir um “Mural de Memórias”, com o objetivo de partilhar testemunhos, experiências, sentimentos e vivências relativas à pandemia COVID-19, o qual se apresenta de seguida.
Agradecemos aos participantes...!


quarta-feira, 23 de setembro de 2020

"Coronavírus, o Viajante Indesejável" e "Bichinho"

"Coronavírus, o Viajante Indesejável" é uma curta animada de dois minutos, que explica às crianças o contexto actual do surto de covid-19 e foi criada por duas amigas, Tatiana Saavedra e Maria Adriana Ventura.





O vídeo de animação mostra um “Bichinho” que obriga a “ficar mais tempo em casa”, lavar bem as mãos e “manter as distâncias”. Foi produzido em parceria pela Câmara Municipal de Matosinhos e a produtora Esfera Cúbica para explicar ao público infantil o surto de covid-19 e a necessidade de isolamento social.


segunda-feira, 14 de setembro de 2020

#EscolaEmSegurança

As orientações da Direção-Geral dos Estabelecimentos de Ensino (DGEstE) e as orientações conjuntas da DGEstE, da Direção-Geral da Educação (DGE) e da Direção-Geral da Saúde (DGS), enviadas às Escolas, visam salvaguardar a retoma das atividades letivas e não letivas em condições de segurança, garantindo o direito de todos à educação no ano letivo 2020/2021. Recomendamos a sua leitura e a visualização dos videos seguintes: 

Ler Orientações para o ano letivo 2020-21: Clique Aqui

Regras Ensino Pré-Escolar e 1.º Ciclo

Regras Ensinos Básico e Secundário

Proposta de Atividade: Mural de Memórias

Neste ano letivo atípico, em que a palavra de ordem é o distanciamento, a Biblioteca Escolar pretende criar pontes e elos de cooperação dentro da Comunidade Educativa, porque “juntos somos mais fortes”.
Assim, fomentando o espírito de Comunidade, satisfazendo a necessidade de partilha e iniciando o ano letivo em união, em proximidade e com uma Energia Positiva comum, lançamos um desafio coletivo, construir um Mural Virtual “Mural de Memórias”, com o objetivo de partilhar testemunhos, experiências, sentimentos e vivências relativas à pandemia COVID-19 - Como viveram o confinamento? O que sentiram? O que aprenderam? Que perspetivas para o futuro?
Podem utilizar diferentes suportes de comunicação, escolhendo aquele que considerarem mais conveniente: Escrita (frase ou quadra), fotografia, desenho/ilustração, cartoon, vídeo, áudio, música, dança ou teatralização em vídeo, etc.
Podem participar todos os alunos, professores e funcionários, até dia 25 de setembro.
Os trabalhos devem ser, devidamente identificados, enviados para o e-mail da BE: besaveos@gmail.com      (também podem entregar em papel, na BE).
Com os trabalhos recebidos, a BE organizará um Mural Virtual e divulgá-lo-á em:
Blog da BE: https://bibliotecasescolaresaeos.blogspot.com/
Página de Facebook da BE: https://www.facebook.com/BEOrdemSantiago/

Terminamos, salientando que a Biblioteca está e estará sempre disponível para colaborar, cooperar e ajudar…!
A todos, um bom ano letivo...


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

UMA ESCOLA PRIORITÁRIA EM TEMPOS DE PANDEMIA

O Jornal de Letras publicou o artigo "Uma Escola Prioritária em tempo de Pandemia", escrito por Pedro Florêncio, Diretor do Agrupamento de Escolas Ordem de Sant`Iago.
Boa Leitura!


UMA ESCOLA PRIORITÁRIA EM TEMPOS DE PANDEMIA

O meu amigo Ricardo não irá levar a mal se partilhar o que me disse naquele dia em que nos encontramos casualmente na baixa de Setúbal, à hora de almoço, um mês antes da pandemia. Não me atreveria a fazê-lo não fosse ele um amigo de longa data:

- Pedro, há quanto tempo....! - continuou - Já sei que ainda estás na "Bela Vista" . Tenho ouvido falar... - Sorriu.

- Sim, é verdade. Por lá continuo ainda. - respondi-lhe entusiasmado. - Um dia destes tens de me fazer uma visita. Gostava que conhecesses o sítio onde trabalho.

- Está prometido! Onde é: na escola de cima ou na escola de baixo? Estás na secundária, certo?

- Ricardo, - retorqui - desde 2007 que já não existe "escola de cima nem escola de baixo" (vulgarmente conhecidas por preparatória e secundária). Sabes, o parque escolar foi melhorado e existe apenas uma escola que agregou os alunos de ambas. É lá onde estou. - respondi-lhe em tom de dejá vú, pois era uma conversa repetida vezes sem conta.

Com expressão mais ou menos envergonhada, confessou que não passava por aquele bairro desde miúdo.

Eu disse que compreendia e acabamos por almoçar num tasco barato ali perto.

Contei-lhe que, na realidade, era um Agrupamento de Escolas de Intervenção Prioritária e que de tudo fazíamos para aumentar o sucesso daqueles miúdos. Falei de projetos inovadores desde o pré-escolar ao ensino secundário, dos recursos adicionais para alicerçar o trabalho docente numa vertente mais social e, pelo meio, escaparam-me as dificuldades que ele nem julgava existir ali tão perto e que muitas vezes se sobrepunham ao exercício docente. Ouvia-me sem pestanejar e entusiasmei-me. Contei-lhe, então, o segredo do sucesso só porque é meu amigo. As pessoas: a sua dedicação; o sentido de missão; a entrega; o calor humano. O espaço para a inovação e para a partilha. A comunicação e a colaboração sem medida. O acreditar que amanhã é melhor. Que somos uma família. E que representamos uma referência maior.

Falei dos sucessos e dos insucessos. Dos apoios e dos inúmeros desafios. Do olhar atento dos professores e dos olhos de águia dos técnicos. Do menino agredido ao melhor aluno do mundo. Do aluno que não toma o pequeno-almoço ao aluno que o apoia em surdina. Da menina que é levada a desistir e do esforço hercúleo para que não o faça. Do aluno retirado à família ao NOSSO aluno que ganhou o 1.o lugar nas Olimpíadas de Matemática deixando os meninos do colégio privado indispostos. Da ansiedade do aluno que viu a mãe ser agredida pelo padrasto ou o irmão a ser detido pelos agentes da esquadra do bairro. Contei-lhe que o segredo eram as pessoas e a sua entrega. Muitas vezes, referências únicas na vida dos alunos e de como estávamos já tão habituados a resolver os problemas diários da nossa população sempre com a estratégia mais indicada e com os apoios disponíveis adequados. Falei da forma como atuamos precocemente para evitar males maiores numa espécie de "máquina de resolver problemas" .

Falei da minha escola - a Escola da Bela Vista - erguida imponente no meio dos blocos de betão amarelo por onde as pessoas raramente passam e onde a prática pedagógica se reinventa diariamente.

Março de 2020 - É declarada a situação de calamidade no âmbito da pandemia da doença COVID-19. Procede-se ao encerramento de várias instalações e estabelecem-se medidas excecionais e temporárias atendendo à situação epidemiológica do novo Coronavírus.

"Ficam suspensas as atividades letivas e não letivas e formativas com presença de estudantes em estabelecimentos de ensino públicos, particulares e cooperativos e do setor social e solidário de educação pré-escolar, básica, secundária e superior e em equipamentos sociais de apoio à primeira infância ou deficiência, bem como nos centros de formação de gestão direta ou participada da rede do Instituto do Emprego e Formação Profissional, I. P.. 
Os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas da rede pública de ensino e os estabelecimentos particulares, cooperativos e do setor social e solidário com financiamento público adotam as medidas necessárias para a prestação de apoios alimentares a alunos beneficiários do escalão A da ação social escolar e, sempre que necessário, as medidas de apoio aos alunos das unidades especializadas que foram integradas nos centros de apoio à aprendizagem e cuja permanência na escola seja considerada indispensável. (...)" Decreto-Lei n.o 10-A/2020

Das recentes aprendizagens ao planeamento do futuro incerto

O que fazer naquele momento? Como poderíamos exercer a nossa função docente? Como dar resposta a alunos em regime de teletrabalho sem o recurso a quaisquer meios informáticos? O que fazer com os alunos mais novos que tinham iniciado o processo de leitura e escrita há alguns meses atrás? Como é que os alunos de escalão A e B poderiam almoçar na escola? Como acompanhar aqueles alunos prioritários? Como chegar a todos? Como não deixar ninguém para trás? Como continuar o processo de ensino aprendizagem...? Como...?

No dia 13 de março, a nossa "máquina de resolver problemas" foi reprogramada em poucas horas, como formigas laboriosas em carreiros alinhados. Ninguém saiu da escola sem levar consigo os e-mails , telefones, contactos atualizados, pessoas de referência de todos os alunos.

A ansiedade crescia desmedida, ao constatarmos que mais de 700 alunos não tinham computador ou equipamentos semelhantes, por outro lado alguns contactos não tinham sido atualizados recentemente. A ansiedade continuava a acentuar-se. As perguntas não paravam. E havia alunos que não podiam estar muito tempo afastados da escola sem o acompanhamento e olhar dos técnicos. A ansiedade era ainda maior. A angústia da responsabilidade crescia sem darmos conta.

Mesmo sem sabermos bem o que fazer recolhemos tudo o que podíamos para manter a ligação direta ou indireta aos alunos. Os departamentos curriculares através dos seus representantes disciplinares criaram uma interessante bateria de atividades para ajudar a desenvolver aprendizagens essenciais em casa. Mesmo sem computador, tínhamos a esperança que alguém imprimisse as propostas de trabalho e as fizesse chegar aos alunos, depois de as descarregar da página web da escola num qualquer computador de um familiar ou vizinho.

Em dois dias apenas criámos - orgulhosos - um plano de Ensino a Distância (que nos parecia perfeito) com o apoio do roteiro que o Ministério da Educação nos tinha feito chegar por aqueles dias. Um plano de ensino em modo de guião com as funções detalhadas de cada um e o modus operandi para ser desenvolvido na sua plenitude, ainda que com alunos sem acesso a meios informáticos.

Na escola, nos corredores compridos outrora inundados de agitação, havia agora um silêncio ensurdecedor que nos inquietava dia após dia. A tal "máquina" habituada a resolver os problemas dos outros era, agora, o centro do problema. Faltavam as pessoas e as relações entre si.

Com o decorrer das semanas fomos "afinando" a articulação entre professores e técnicos e percebemos que o papel do Diretor de Turma assumiria uma importância acrescida que, aliás, gostaria de destacar: a articulação com todos os elementos do Conselho de Turma foi essencial e não houve tempo a perder.

Na tentativa de chegar a todos, lançamo-nos na descoberta de paradeiros e moradas em contactos diretos com o Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família (GAAF) em articulação com as assistentes sociais que acompanhavam as famílias e com o inestimável apoio dos parceiros locais, como o Programa Escolhas, por exemplo. Os docentes de Educação Especial e os técnicos do Centro de Recursos para a Inclusão tiveram igualmente um papel fundamental na planificação das várias tarefas com a orientação da Equipa Multidisciplinar para a Educação Inclusiva e de outro gabinete análogo (informal) que já tínhamos criado para uma atuação mais rápida e de primeira linha, ao qual chamamos GAPI - Gabinete de Análise de Primeira Intervenção.

Seguiram-se dias não menos fáceis. Não menos exigentes. O levantamento exaustivo diário e crescente do número de alunos carenciados para almoçar; apuramento do número de alunos sem equipamentos informáticos ou semelhantes e sem acesso a internet,... E ainda os relatos e lamentos de professores que não se compadeciam com tal forma de ensinar: ora porque os alunos não tinham acesso a estes meios, ou porque não dominavam as diferentes tecnologias, ou até porque não os conseguiam visualizar - a todos - atrás do pequeno ecrã do computador pessoal.

Entretanto, a formação disponibilizada pela tutela trouxe-nos algum alento mas, na verdade, nada substituía a presença na escola com os alunos.

Estes, por sua vez, apareciam em pequenos grupos no grande portão da escola, escondidos atrás de uma coisa de pano que lhes cobria a tristeza, mas que não disfarçava o olhar saudoso lançado para dentro da escola. Vinham com sacos de plástico escondidos para levantar as marmitas do almoço e outros para receber os trabalhos, que lá íamos imprimindo semanalmente, enviados pelos respetivos Diretores de Turma.

Das recentes aprendizagens ao planeamento do futuro incerto, há lições que devem ficar registadas pela experiência que tivemos no contexto pandémico. Não há, de facto, memória de maior desafio ao nosso sistema educativo, a par das desigualdades sociais que condicionam, em grande medida, o sucesso dos alunos e que foram neste contexto, substancialmente agravadas com a crise económica. Sabemos bem que, na educação, nem todos partem do mesmo ponto, mas todos deverão ter condições para fazer o seu percurso escolar, seja lá qual for a opção escolhida.

Se ainda dúvidas houvesse em que os professores não podem ser substituídos por máquinas, resta-nos uma das poucas certezas: o ato educativo é, antes de mais, um ato de relação. Relação pedagógica que se constrói presencialmente, porque somos seres de relação com o outro. Porque aprendemos em conjunto com as virtudes e defeitos dos outros. Com os apoios e com as dificuldades. Com as relações que estabelecemos e que não podem ser substituídas pela aridez de um teclado ou de um micro ecrã que esconde emoções e condiciona o afeto pedagógico.

A comunicação e a articulação entre os diferentes atores educativos foi uma mais valia neste panorama e que, de certa forma, ajudam a explicar muito do sucesso deste plano através da partilha e das redes de apoio que se constituíram. Por fim, a dedicação extrema à causa educativa por parte dos professores e a rápida adequação ao contexto social e educativo garantiu que os alunos, de forma geral, continuassem a desenvolver as aprendizagens com sucesso, com o apoio possível das famílias e de outros agentes educativos, suportados em projetos locais e nacionais.

Havemos de voltar nesta ou noutra nova (a)normalidade onde retomaremos o lugar e as funções que sempre tivemos para dignificar e fazer educação. Numa nova "máquina", reprogramada, mas com as mesmas peças fundamentais que a fazem funcionar na sua plenitude e que em educação não poderão ser substituídas por computadores ou outra coisa qualquer que nos separa do olhar dos alunos, das emoções, da relação pedagógica e do calor humano - prioritário, sem dúvida. Havemos assim de voltar em breve com pessoas e afetos, ainda mais disponíveis, mais capazes e com experiências diferentes que podem ser capitalizadas para favorecer o direito à educação de todos.

Há poucos dias o meu amigo Ricardo (aquele que não sabia que as duas antigas escolas já não existiam e tinham dado origem a uma única escola) enviou-me um sms: "Amigo Pedro, era bom que toda a gente soubesse o trabalho que vocês fazem aí nessa escola. Bom ano letivo e que voltemos todos já em setembro."

Creio que com este testemunho possa concretizar o desejo do meu amigo Ricardo.